Recebi a mensagem abaixo provavelmente elaborada por setores corporativos e assessorias de imprensa de empresas locais. Procurava transmitir, como não poderia deixar de ser, algum otimismo. Torcendo fervorosamente pelo melhor, não posso deixar de acrescentar algumas atualizações importantes que espero não sejam definitivas, mas parecem ser.
Nos últimos dias a imprensa noticiou amplamente a demissão de grande número de trabalhadores na CSN. Informou também que o Volkswagen Caminhões e Ônibus foi comprada por uma empresa alemã que se apressou em dizer que não haverá qualquer modificações na condução dos projetos de investimentos e ações previstas para os próximos semestres. A conferir.
Tratando agora de empreendimentos menores, mas que evidenciam lamentavelmente a chegada da crise a nossa região, A Gafisa, com o empreendimento Bella Vista, na Avenida Beira Rio, começou a convocar clientes para modificações nos projetos originais com a supressão do terceiro bloco englobando 76 apartamentos.
É muito triste tudo isto, ainda mais no advento de novas administrações municipais em diversas cidades do Sul Fluminense, especialmente em Resende.
Fraternos abraços Somavilla
Porto Real
A PSA Peugeot Citroën negou ontem, através de sua assessoria de Imprensa, que esteja promovendo demissões em massa na sua fábrica de Porto Real. Segundo a empresa, as cerca de cinqüenta demissões que aconteceram antes das férias coletivas dos empregados do setor de produção da unidade se devem a um processo rotineiro de avaliação de desempenho, em que os empregados que ficam abaixo das expectativas da empresa são dispensados. Segundo a assessoria, esse processo acontece normalmente, antes das férias coletivas que acontecem todos os anos, e não tem nada a ver com a crise financeira mundial.
Durante as negociações das medidas de redução de custo com o Sindicato dos Metalúrgicos, a Peugeot Citroën chegou a admitir a hipótese de não renovar o acordo que permite o terceiro turno de trabalho na empresa, o que provocaria cerca de 600 demissões na empresa. A decisão foi modificada depois de negociações, e transformada em férias coletivas para toda a fábrica da empresa em Porto Real, de 8 de dezembro a 5 de janeiro.
Os trabalhadores do terceiro turno não vão voltar às atividades em janeiro: eles vão ficar em licença remunerada “recebendo 75% do salário, de acordo com o sindicato por até três meses, a partir de janeiro. A intenção da empresa é acompanhar o comportamento do mercado de automóveis no início do ano e verificar se as medidas do governo para reaquecer a venda de automóveis.
Indústrias da região evitam demitir
As reações dos administradores das principais empresas do setor metalúrgico da região à crise financeira mundial, foram de cautela, com medidas de redução temporária de custos e produção, e evitaram as demissões em massa. Até o momento, CSN, GalvaSud, Votorantim Siderurgia, Peugeot-Citroën, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Saint-Gobain mantiveram seus quadros de funcionários. As medidas de redução de custo envolveram, na maioria dos casos, concessões de férias coletivas aos trabalhadores.
Só a Votorantim Siderurgia não recorreu a essa medida, até o momento. A Votorantim anunciou recentemente que vai adiar a inauguração da usina de aços longos que está construindo em Resende, mas afirmou que a medida não tem ligação com a crise econômica mundial, e está relacionada a atrasos no cronograma das obras, por conta das chuvas que atingiram a região.
Expectativa é de recuperação em 2009
O presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, tem defendido que as empresas façam todos os esforços para manter os empregos e os níveis de produção durante a crise.
Steinbruch, assim como muitos outros executivos e analistas, inclusive os do FMI -, acredita que a crise mundial tende a ser revertida nos próximos meses. Segundo o presidente da CSN, compradores da Ásia, Europa e Estados Unidos estão retornando às compras. “A China já está retomando embarques. Outra sinalização positiva é o posicionamento do governo Chinês”, afirmou ele ao jornal DCI.
No caso específico da Companhia, a empresa vai conceder férias coletivas à administração e a algumas partes do setor produtivo, mas se mantém em condições de acelerar rapidamente o ritmo de produção para responder a um aumento da demanda.
A CSN vai começar o ano que vem com dois meses de produção estocados, de acordo com Steinbruch. O que a empresa não comenta é que, antes da eclosão da crise mundial, havia uma parada de manutenção programada para o AF-2, e esse estoque seria consumido, mesmo com demanda reduzida, com a confirmação dessa parada.
“Pode ser que janeiro não seja tão ruim como todo mundo está esperando”, disse Steinbruch. Segundo ele, é normal começar janeiro com nenhum estoque.
Num cenário como esse, o esforço para manter a equipe vai além da responsabilidade social e chega ao raciocínio estratégico. Montar uma força de trabalho especializada demanda tempo e dinheiro, e depois de dispensar um trabalhador, ninguém pode ter certeza de que ele retornará à empresa, no caso de o mercado se recuperar.
Considerando alguns meses de baixa demanda, sai mais barato para a empresa manter o empregado mesmo que seja em férias coletivas ou em licença remunerada, no caso de uma redução de produção por um período mais prolongado do que dispensá-lo, pagando as despesas de rescisão de contrato de trabalho. Depois de acabada a crise, a empresa teria que buscar outro profissional para substitui-lo, arcando com custos de contratação, treinamento e adaptação.
Investimentos são mantidos ou adiados
A maior parte das empresas dos setores de siderurgia e metal-mecânica evita também cancelar investimentos previstos, em função de crises econômicas. O motivo também está relacionado a questões estratégicas: o tempo necessário para que uma siderúrgica ou uma fábrica de automóveis seja montada e comece a produzir e dar retorno é estimado em anos, enquanto as crises duram alguns trimestres.
No caso da crise atual, as expectativas são de que a economia acelere o processo de recuperação já no terceiro trimestre do ano que vem, sendo que alguns sinais de melhoria já começam a aparecer. Assim, a demanda deve retomar, já no final de 2009 e no primeiro semestre de 2010, os níveis vigentes em meados de 2008.
Esse nível de demanda justificava uma grande variedade de investimentos. Quem cancelar ou retardar demasiadamente essas expansões de capacidade produtiva por causa da crise atual se arrisca a perder participação de mercado no mundo pós-crise, porque novas unidades que estão sendo construídas agora vão entrar em operação e tomar mercado de quem não tiver produtos ou serviços a oferecer.
Alguns exemplos nesse sentido são os maiores investimentos em progresso na região: a fábrica de cimento e a usina de aços longos da CSN, em Volta Redonda, e a usina da Votorantim Siderurgia em Resende. A entrada em operação dessas plantas está prevista para o segundo semestre do ano que vem, quando a demanda deverá estar apresentando os primeiros sinais mais consistentes de reaquecimento.
Uma decisão precipitada de interromper os investimentos agora pode ter como resultado a ocupação do nicho de mercado que elas foram programadas para atender por outro fornecedor menos temeroso. Resultado: além de não crescer, a empresa que cancelar o investimento perde faturamento e o dinheiro que aplicou até agora.